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Onde a dor vira verso

Há noites em que o mundo pesa demais,
e o silêncio grita mais alto que qualquer palavra
o corpo repousa,
mas a alma não dorme,
vaga por lembranças,
por ausências,
por tudo aquilo que não coube no dia.

Mas há também um lugar secreto,
feito de sombra e luz entrelaçadas,
onde a dor se transforma em poesia,
e os sonhos costuram o que a vida estraçalhou,
ali onde cada lágrima é matiz,
cada suspiro, uma sílaba que resiste.

Há noites em que não é preciso entender tudo para continuar,
basta apenas sentir que há algo dentro que ainda pulsa:
uma rima tímida,
uma melodia deslembrada,
um fragmento de esperança escondido entre os versos.

Há momentos em que se percebe
que a arte não cura de imediato,
mas oferece resguardo,
como mãos invisíveis que estabilizam o coração
quando ele ameaça cair,
e entre estrofes e imaginações,
o peito encontra espaço para resfolgar,
e o caos se organiza em linhas,
como se o papel compreendesse
aquilo que ninguém mais consegue ouvir.

Há dias em que sonhar não é escapulir-se, mas resistir,
é dizer ao mundo: “ainda estou aqui”,
mesmo quando tudo parece desmoronar-se,
é permitir que cada poema seja uma ponte,
cada nota, um passo,
cada imagem, um sopro de vida.

Há instantes em que,
mesmo que o caminho seja feito de dores,
os sonhos enlevam as lágrimas em perfume,
transformam o peso em dança,
e fazem da queda um voo lento,
onde a alma aprende a flutuar
entre o que foi e o que ainda pode ser.