MOÇAMBICANAMANIAMENTE
O escritor em mim tem muitas pessoas, que não são necessariamente as que vivem e sentem as coisas que um e outro se apropriam. Cada um idealiza suas próprias vivências, seus próprios horizontes. Assim, o leitor terá a possibilidade de conviver com diferentes dois Eus (Florentino Dick Kassotche e Stefan Florana Dick), que são a essência do Eu em mim.
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MOÇAMBICANAMANIAMENTE
F lorentino Dick Kassotche nasceu em Mutarara-Tete, Moçambique, no dia 5 de Janeiro de 1965. É autor de: Confabulâncias e (estória d') a Morte Anunciada (1996); Globalização: os Receios dos Países em vias de Desenvolvimento (1999), Inventário Passional (2005), SEM TI (2007) e Moçambicanamaniamente (2016). Membro da Associação de Escritores Moçambicanos, colaborou com vários jornais e revistas do seu país,com mais destaque para JORNAL NOTICIAS, DEMOS,
JORNAL DOMINGO, DIARIO DA BEIRA, SAVANA, REVISTA TEMPO, ZAMBEZE, MAGAZINE INDEPEDENTE, REVISTA ECO, CHARRUA, entre outros.Para além do nome FDK, usa também STEFAN FLORANA DICK, com o qual assina seus poemas e algumas reflexões puramente literárias. Tolentino Lorentino Nyankhalimbwi, Smartino Na-phiri são outros nomes (heterónimos) com que assinou trabalhos publicados e dispersos nos jornais supracitados.
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Artigos
Vendas
Há noites em que o mundo pesa demais,
e o silêncio grita mais alto que qualquer palavra
o corpo repousa,
mas a alma não dorme,
vaga por lembranças,
por ausências,
Estou cansado de bancar-me de forte,
cansado de dissimular que nada me abala
quando por dentro estou em pedaços;
cansado de sorrir quando o peito é tempestade,
de dizer “está tudo bem”
quando a alma desmorona...
Da-me o amanha
e dar-te-ei o depois de amanha
ofereça-me o suor da tua imaginaçao
e oferecer-te-ei os poemas mais liricos de mim
olha-me nos olhos
e olhar-te-ei nas pupilas ...
Por um tempo,
congelei todas as palavras
que me recordavam do Eu em ti
todos os versos
que soavam aos teus sonhos
todas as metáforas
que exaltavam a tua beleza
todos os pensamentos
que sorriam para a tua ausência
Estar apaixonado
não é mais que expelir fogo invisível
que carcome o EU em si
é entregar-se de corpo e alma no rio que nem se sabe da sua profundidade
é reter a respiração ofegante
da alma num beijo imaginado
“My Ode to a Guiding Light
The dusty airport in Tete, the plane's quiet sound,
A new journey starting, on brand new ground.
You sat by my side, Stefan Dick Kassotche Mphiri, calm and so kind,
"What do you think of Mozambique?" that question, stuck in my mind.
Maputo City, I'd never seen before,
But with you there, I felt safe and secure.
You weren't just a boss, for years you would lead,
Like a father to many, planting kindness like a seed.
You saw the good in each one of us, it's true,
Believing we could grow and achieve, me and you.
You gave us tasks and trusted us to try,
Even when we messed up, you'd never make us cry.
Oh, I made so many mistakes, but you never got mad,
Just quiet encouragement, when things looked bad.
Because of your leadership, I loved my school so much,
I became dedicated, thanks to your special touch.
You were always working, a moving office, they'd say,
Even walking to your car, you'd talk business right away.
Meetings could happen anywhere, without a frown,
You carried your wisdom all over the town.
You write beautiful poems, especially about love,
And when I was down, you were a gift from above.
A truly good person, hardworking and true,
Always there for us, helping us through.
So I'm giving you these flowers, while you're here today,
To show my appreciation, in every possible way.
For your caring heart, and all you have done,
My deepest thanks, dear Stefan, you're truly number one.
”
“Florentino Dick Kassotche é, como escritor, um jogador por fora. Explico-me: difícil é tentar enquadrá-lo nos cânones que a teoria literária nos recomenda, isso de movimento, género, estilo literários não é com ele. Deste modo, difícil se torna também prefaciar uma obra sua, porque na realidade, prefaciar significa mostrar previamente ao eventual leitor que a nossa leitura prévia foi assimilada e estamos em condições de lhe preparar a leitura que vai encetar. E isto se faz com alguns cânones que aqui me escapam.”
“ (…)Com agrado e algum espanto percorri as folhas do livro. A meio fiquei aturdido, pois não encontrei um Dick, mas vários Dicks. Senti que havia caído numa armadilha, num logro. Como é possível prefaciar, com isenção, uma personalidade múltipla, uma personalidade que se metamorfoseia, com requinte e sobriedade, assumindo o papel de professor que foi. De diplomata que é, de escritor que se assume e cidadão de olhar cuidado. Dirão que a cronica, género que vem ganhando foros de credibilidade neste país, é um mundo variegado, não se atem a um só fenómeno, mas a vários. A sua linha é descontínua. E só a pena do escritor é que dá o gozo, o prazer, a fruição de a ler. A marca do escritor é o sucesso da crónica. (…) ”
“ Em “O INVENTÁRIO PASSIONAL” o amor, especialmente o amor, ganha uma dimensão invulgar, que é sistematicamente renovada ao longo do texto. Circunscreve-se nos limites da realidade, mas vem carregada de elementos emotivos que a grande maioria das pessoas prefere rejeitar, negligenciar ou evitar. O amor surge aqui com todos os seus medos, riscos, complexos, dores e prazeres. Sugere cargas emotivas complexas e estranhamente revigorantes. ”